19 de jan. de 2007

«?»


O tempo vai passando,
E a vida escorrega-me por entre os dedos,
Os dias vão correndo,
E não consigo acompanhar o seu ritmo ...
E rapidamente fico para trás,
E subitamente vou ser esquecida!
.
Perco-me nas noites,
Cada vez mais escuras.
Encontro-me nas manhãs,
Cada vez menos claras.
Sumida entre o pôr e o nascer do sol,
Excluída pelo ciclo da VIDA!
.
Esqueço-me do prisma de viver,
Perco-me na rotina.
E vivo sem rumo ...
Com planos e desenhos,
Rabisco em papel branco,
Esta é a tela do meu tempo de vida.
.
Na tentativa de o esquecer,
Vivo com toda a pressa,
Apenas ouvindo o tic tac,
Do relógio que não pára,
Na vida que não cessa,
Mas sempre em direcção ao nada!
.
Num lago esverdeado,
Reflicto o meu rosto,
Distorcida pela água,
Espelho da minha alma!
O tempo esqueceu-me ...
Elemento terminal: AMALDIÇOADO TEMPO!

«Vingança»


Pobre alma, pobre nulidade,
Desejar amar-te,
Receber desprezo,
Pobre de amor, rica de solidão,
Rodeada de dor, só na multidão!
.
Tu és causador disto tudo ...
És soldado que crava lanças de vingança,
És senhor de quem despedaças,
Pobre de mim fracassada,
Pobre de mim sombra do nada!
.
Vultos alvos entre o arvoredo da vida,
Pedra escura da estrada do meu fado,
Passos surdos da caminhada para o eterno,
E eu sou ... alvo de vingança preparada,
Ninho de traição apunhalada.
.
Sou risco na tua alma,
És cor da minha vivência,
Sou pedra na tua estrada,
És caminho da minha esperança!
És tudo e eu sou nada!
.
Apagas sombras no teu andar,
Esquece as memórias inesquecíveis,
Cura as mágoas do teu outrora.
Acredita que o que fui, esqueci,
Para abraçar-te e apaixonar-me por ti!

«Palhaça»


Sim,sou eu, sem querer.
Sou o que tu queres sem pedir!
Sou aquilo que desejas sem sonhar!
Sou aquilo que entre gritos dizes baixinho!
.
Sinto-me ... o que tu desejas-te!
Sinto que sou um monte de palhaçadas,
Sinto-me tapada com tintas da tristeza!
Sinto que sou o sorriso escondido.
.
Sou a lágrima do teu sorriso,
Sou a sombra do teu sol,
Sou nuvem do teu céu azul,
Sou pedra atirada à tua estrada.
.
Fui o que tu amas-te,
Fui luz na tua noite,
Fui a doçura da tua amargura,
Fui melodia na tua solidão.
.
Queria ser estrela na tua vida,
Mas sou a palhaça no teu circo!

16 de jan. de 2007

«Aqui tudo vale»

Vale sofrer por quem amamos,
Vale sofrer por quem nos ignora,
Vale ama quem nos ama,
Vale amar a quem nos é indiferente,
Vale chorar por quem nos quer,
Vale chorar por quem nos magoa,
Mas que destino este...
Faz-nos ser algo tão vãmente importantes
Tão longiquamente sábios!
.
Aqui tudo vale...
Vale beijar quem amamos,
Vale beijar quem não nos pertence,
Vale sangrar de prazer,
Vale lutar pelo possível,
Vale lutar pelo inatingível,
Mas que destino esse...
Faz-nos alar em realidade tão vãmente importantes,
Faz-nos ser tão longiquamente desejado.
.
Aqui tudo vale...
Querer o que se tem,
Querer o que não se tem,
Lutar pelo que é nosso, lutar pelo que não é!
Viver para amar,
Viver para sofrer,
Estranho este destino!
Dá-nos o que não queremos,
Faz-nos perder e chorar pelo que amamos!
Aquela a quem as frases molham o rosto....
Aquela a quem o vento da página sacode o cabelo...
Aquela que ama a arte de juntar pequenas gotas,
Que são palavras,
E que se deixa regar de sabedoria!

Sou eu...
Aquela que ama a arte de desenhar...
Com pena ou caneta...
No papiro ou no papel
Pequenos soluços e desabafos
Que mais tarde serão lembrados
Pela brisa ao virar de cada página!

Sou eu...
Aquela que ouve cada frase
Dita pelo sabor do vento de cada volume escrito
Pelo seu autor nunca esquecido!
E para sempre padroeiro da palavra!

Amo e amarei tudo o que será exposto em papel!

Sou assim...

Mónica Lapa

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